E não é que Touch me surpreendeu positivamente? A premissa da série não tinha me entusiasmado muito e o fato de Tim Kring (criador de Heroes) estar no comando menos ainda, mas ao assistir o episódio piloto meu interesse foi completamente despertado e, por mais piegas pareça dizer, me senti tocado pela forma como a série "vendeu" a ideia de que tudo no universo está conectado.
Inicialmente, o grande atrativo da série é a presença de Kiefer "Jack Bauer" Sutherland, que trocou seus dias de CTU e combate a grupos terroristas por uma vida mais normal (pelo menos, aparentemente) de um pai solteiro com um filho autista. Martin, personagem de Kiefer, é um homem que não tem conseguido manter a vida muito em ordem depois que sua mulher morreu no ataque terrorista de 11 de setembro de 2001. Desde então ele mudou de emprego várias vezes, e atualmente é agente de bagagens do aeroporto de NY. Ele luta para tomar conta de um filho com o qual não consegue dialogar (já que o garoto não fala) e tem a perigosa mania de subir numa torre. Mas tudo começa a mudar quando ele enxerga que Jake tem tentado se comunicar através de números.
O episódio começa com a simples perda de um celular, que passa de mão em mão conectando pessoas e mostrando como acontecem as chamadas “coincidências da vida”. Na primeira tentativa de entender a linguagem numérica do filho, Martin conseguiu direta e indiretamente impedir que crianças morressem num acidente com um ônibus escolar e que um garoto em Bagdá detonasse uma bomba que tiraria a vida de vários inocentes. Tudo por conta de um simples celular que ele encontrou no “Achados e Perdidos” do aeroporto!
Touch usa como base a teoria de que tudo está conectado e faz parte de um grande espiral. E as relações humanas representam um grande fator nisso tudo. Quem tocamos e por quem somos tocados tem um importante papel nos eventos que ocorrem ao nosso redor. Jake enxerga os números que representam essas conexões, e tenta se comunicar através de deles. Segundo o personagem de Danny Glover, que participa deste episódio piloto, o garoto está se fazendo valer da “Sequência de Fibonacci”. Martin passa a ser o intérprete do filho, e terá a missão de fazer com que seu ele "seja ouvido", impedindo, com isso, desastres de acontecerem (uma vez Jack Bauer, sempre Jack Bauer, rs!) ou simplesmente ajudando as pessoas a seguirem com suas vidas.
Para esse primeiro episódio a premissa foi muito bem executada. Conseguiu intrigar e emocionar. Tudo foi um pouco corrido, mas não ao ponto de nos deixar confusos com o que estava acontecendo. Ficou claro que a série irá tratar semanalmente das relações e padrões do universo, a medida que Jake for fornecendo novos roteiros para seu pai. Resta saber se a premissa irá se manter interessante nos próximos episódios e se o Tim Kring não vai se enroscar/tropeçar nesse emaranhado de “fios conectores” que ele quer nos apresentar. Por enquanto, tudo foi muito bem (até da mulher de Undercovers eu gostei!)... Quanto ao futuro, só Jake sabe!
E mais:
- É difícil desvincular o Kiefer Sutherland do personagem de 24 Horas que tanto lhe marcou. Mas em Touch ele faz um excelente trabalho para mostrar o pai fragilizado que Martin é, e emociona tanto quando Jack Bauer emocionava, talvez até mais, por mostrar-se mais vulnerável e por que não dizer, humano.
- Impressão minha ou Touch lembra, mesmo que de longe, a série Person of Interest? Em ambas existe alguém evitando coisas ruins de acontecerem com base no fornecimento de números! Só que em Person of Interest quem fornece os números (CPFs) é uma máquina criada pelo “Ben Linus”... :P
- Mesmo com uma participação pequena, Titus Welliver não passa despercebido, né? O cara tem moral, afinal é o eterno MIB! A revelação que seu personagem era o bombeiro que tentou salvar a vida da mulher do Martin no ataque às Torres Gêmeas foi um dos pontos mais marcantes do piloto -- junto com a cena do pai vendo as fotos da filha nos telões e do abraço que Jake deu em seu pai no final do episódio.






